Já comecei a escrever e já apaguei tudo. Simplesmente porque, neste momento, a minha cabeça é percorrida por um milhão de pensamentos, por uma imensidão de coisas que não deveriam estar a ocorrer-me, mas que pairam no ar de qualquer maneira. Esta minha sensação de inutilidade, de tristeza com um nada que me atormenta dia após dia... tudo isto me faz achar cada vez mais que estou louca. E se calhar estou mesmo. Paro de escrever e poiso a cabeça na mesa. Para quê? Para nada. Mas faço-o. E este simples gesto demonstra o cansaço interior que já sinto e que há anos me acompanha. É chegado o momento em que se começa a notar a minha falta de força para acarretar determinadas coisas. Mas, como sempre disse, não sou forte. Talvez por isso me admire com a resistência que tenho a certos assuntos, a certas etapas da vida que são emocionalmente esgotantes e tantas vezes difíceis de suportar. Só a minha ânsia de continuar me faz afastar do pensamento a ideia de desistir, que por tantas vezes me par...
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Fizeste ontem sete meses. É verdade. Sete meses e ainda não vi uma única imagem tua, uma fotografia que me mostrasse como és, se és parecida com o pai, se tens algum traço que nos aproxime fisicamente... Não sei como és. Mas sei que mesmo assim me pertences, de uma maneira muito forte. Sei, para além da tua idade, o teu nome. E nada mais. Sei também que existes, mas apenas posso imaginar-te. Não sei se te verei alguma vez na vida. Afinal de contas, temos um oceano a separar-nos, temos meio mundo entre nós. E isso era uma coisa que eu queria muito: ver-te. Gostava de saber tanto sobre ti, sobre os teus pequenos e tão longos sete meses, sobre este tempo da tua existência. Gostava de saber qual é a cor dos teus olhos. Castanhos, provavelmente, não é? É a cor dos olhos do pai, e acho que da tua mãe também. Estou aqui a pensar agora que és tão pequenina... Não poderás nunca imaginar que tens alguém no outro lado do mundo a pensar em ti, a escrever sobre ti... Muito menos alguém que te ama...
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É frustração, é tristeza, é saudade... É um conjunto de sentimentos que, cada vez mais, me deixam cansada, me deixam saturada de tudo isto. Parece que não aprendo, ou que não me esforço minimamente por tentar apagar momentos que um dia passaram. Porque tiveste de vir para tão perto? Porquê? Eu já estava bem, já aguentava muito tempo seguido sem chorar, coisa que hoje em dia se tornou uma raridade. Será que mereço? Será que errei de uma tal forma que o meu castigo vai ser, para além de não poder ter contigo a relação que um dia tive, ser obrigada a ter-te tão perto de mim quase todos os dias? Parece mesmo maldição, como se alguma entidade superior olhasse para tudo o que está a acontecer e ainda dissesse "vês?, tão longe mas tão perto. tem-la aqui quase todos os dias, mas não podes fazer nada, nem sequer falar-lhe". Por mais que digam que sou forte, não o sinto. Afinal de contas, não há um dia que passe sem que as lágrimas me assomem aos olhos, sem que pensamentos loucos se a...
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O tempo passa. Passa demasiado rápido e tudo muda de um instante para o outro. Quando paramos e nos dispomos a olhar para trás, percebemos que perdemos demasiado tempo a tentar compreender o que podemos ter feito de errado, a questionar a razão da nossa existência. Percebemos como um qualquer erro pode mudar o rumo da nossa vida, por mais ínfimo e insignificante que seja, como pode condicionar as nossas escolhas... Eu errei. Não propositadamente, mas errei. E a consequência desse erro foi perder aquilo que algum dia mais valorizei, aquilo que mais amei... O que mais magoa é talvez o facto de saber que não há nada que possa trazer de volta um passado que parece agora tão remoto, tão distante, que parece até ter sido irreal, devido à felicidade que um dia trouxe. Quando esta mágoa, causada pela impotência, se apodera de nós, tudo o que nos rodeia perde um bocado do seu sentido. Tudo deixa de ser claro, como era até então. Aquilo que tomávamos como certo é questionado, tudo passa a girar...
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Se soubesses o quanto me está a magoar este dia... Ainda só passam 14 minutos da meia-noite, mas estes foram 14 minutos muito difíceis. Saber que não vou estar “presente” no dia do teu aniversário, que não devia sequer dar-te os parabéns, porque prometi não voltar a incomodar-te mais... Tudo isto magoa que se farta! Mas o que posso eu fazer? Chamem-lhe obssessão, chamem-lhe o que quiserem... É mais forte do que eu. Este meu gostar de ti parece que nunca verá um fim. E sabes que mais? Por um lado, eu gostava de ter esse fim. Porque dói taaanto ver-te ir embora, sem lançares um último olhar para trás, sem um único sorriso, de esguelha que seja, dirigido a mim. Este pormenor, que tão pequeno parece, tem para mim um tamanho tão grande... Ocupa todo o meu ser, esta vontade de te ver sorrir-ME. Mas para que me quero iludir eu? Para que que...
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Minha princesa... Ainda de manhã te vi, e já estou para aqui cheia de saudades. Na verdade, nunca haverá tempo suficiente que me faça matar as saudades que agora tenho e que se vão revelando cada vez maiores. Sim, porque quando eu pensava que já não era possível querer-te mais, eis que me assalta uma vontade infinitamente superior àquela que já tinha de te abraçar, de te beijar, de te apertar bem aqui, pertinho de mim... E sabes? Magoa estar longe de ti, porque me lembro de tudo aquilo que fazia e que agora não posso mais fazer. Lembro-me de que era eu quem se levantava durante a noite, quando estavas doente, e te trazia para a minha cama. Era eu quem te dava o biberão, antes de adormeceres depois, embalada no meu colo. Era por mim que chamavas, quando tinhas um pesadelo. E, apesar de ir já bastante longe (ou assim parece), não me esqueço de que fui eu quem te ensinou a dizer "papá", "mamã", assim como não me esqueço que foi a mim que te dirigiste, quando chamast...
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Às vezes pergunto-me como estou a conseguir aguentar tudo isto... Pergunto-me porque tenho de estar afastada de ti neste momento difícil da tua vida. E da minha, já que tudo me afecta de uma maneira insuportável. Saber que sofres com os problemas que tens contigo próprio e que, ainda por cima, sofres por não me teres perto de ti, dá cabo de mim. Já nem chorar adianta. Essa vontade já não me assalta tão frequentemente, não só porque estás melhor, mas também porque acho que já não há lágrimas que possam tirar de mim esta tristeza permanente, que me esforço por ocultar, sorrindo, quando me perguntam se estou bem, ou se preciso de alguma coisa. A minha habitual resposta é "eu estou bem", mas por vezes até dizer isto magoa. Porque não é verdade, e também porque não quero que pensem que sou fria contigo ao ponto de não me importar com aquilo que estás a passar. Porque se há alguém que se importa, esse alguém sou eu... Mas acho que cheguei à conclusão de que não quero mais parece...