Mensagens

Imagem
Minha princesa... Ainda de manhã te vi, e já estou para aqui cheia de saudades. Na verdade, nunca haverá tempo suficiente que me faça matar as saudades que agora tenho e que se vão revelando cada vez maiores. Sim, porque quando eu pensava que já não era possível querer-te mais, eis que me assalta uma vontade infinitamente superior àquela que já tinha de te abraçar, de te beijar, de te apertar bem aqui, pertinho de mim... E sabes? Magoa estar longe de ti, porque me lembro de tudo aquilo que fazia e que agora não posso mais fazer. Lembro-me de que era eu quem se levantava durante a noite, quando estavas doente, e te trazia para a minha cama. Era eu quem te dava o biberão, antes de adormeceres depois, embalada no meu colo. Era por mim que chamavas, quando tinhas um pesadelo. E, apesar de ir já bastante longe (ou assim parece), não me esqueço de que fui eu quem te ensinou a dizer "papá", "mamã", assim como não me esqueço que foi a mim que te dirigiste, quando chamast...
Imagem
Às vezes pergunto-me como estou a conseguir aguentar tudo isto... Pergunto-me porque tenho de estar afastada de ti neste momento difícil da tua vida. E da minha, já que tudo me afecta de uma maneira insuportável. Saber que sofres com os problemas que tens contigo próprio e que, ainda por cima, sofres por não me teres perto de ti, dá cabo de mim. Já nem chorar adianta. Essa vontade já não me assalta tão frequentemente, não só porque estás melhor, mas também porque acho que já não há lágrimas que possam tirar de mim esta tristeza permanente, que me esforço por ocultar, sorrindo, quando me perguntam se estou bem, ou se preciso de alguma coisa. A minha habitual resposta é "eu estou bem", mas por vezes até dizer isto magoa. Porque não é verdade, e também porque não quero que pensem que sou fria contigo ao ponto de não me importar com aquilo que estás a passar. Porque se há alguém que se importa, esse alguém sou eu... Mas acho que cheguei à conclusão de que não quero mais parece...
Imagem
Está a ser difícil. Muito difícil mesmo estar longe de vocês. Magoa tanto nunca saber quando vos torno a ver, a vocês, os meus pequeninos. Aqueles dois pequenos seres que fazem parte de mim e que eu tanto amo. Mais do que a mim mesma. Faz-me falta todos aqueles momentos que estava habituada a passar com vocês, mas talvez seja agora que mais os valorizo. Talvez seja com este afastamento que tudo venha a saber melhor depois, quando sei agora o que é não vos ter comigo todos os dias, quando sei o que é não sentir o vosso abraço apertado, o vosso beijo de boas noites que nunca falhava. Tenho saudades daquele pequeno momento à noite, antes de me deitar, quando ia às vossas camas e vos cobria, para que não apanhassem frio durante a noite. Tenho saudades de chegar a casa e ver-te a ti, minha pequena, abrires-me a porta e saltares para o meu colo, abraçando-me e beijando-me como se não houvesse amanhã. Tudo parecia tão normal, que não era devidamente valorizado, admito. Agora faltam-me os...

MCB

Obrigada. Talvez seja esta a melhor maneira de começar. Já aqui dei muitas voltas, já escrevi e apaguei vezes sem conta, já parei, fechei os olhos e procurei pensar no que quero realmente dizer. E tudo passa por aquela pequena palavra com que dei início a este meu texto. Por mais que lhe tentasse agradecer após uma conversa ou uma aula, sempre me interrompia dizendo que não é preciso eu agradecer-lhe nada, que só tenho de me preocupar em olhar em frente e conseguir assim seguir o meu caminho. Mas não ia ficar a sentir-me bem se não lhe agradecesse convenientemente. Durante muito tempo fui, como lhe disse, uma pessoa má. Foi a primeira vez que o admiti alto para alguém. E isto porque foi no momento em que o disse que essa verdade se abateu sobre mim. Só naquele momento é que percebi o imenso significado das palavras que tinha acabado de proferir, do quanto elas queriam dizer... Mas não é isso que interessa agora. O que interessa é que estou aqui para lhe dizer que o abanão que lev...
E por mais que eu tenha sido forte um dia, hoje já não mais o sou. Sei admiti-lo, apesar de me custar saber que com o tempo fui perdendo toda aquela energia verdadeira que tinha, todo aquele puro gosto de viver. Agora perdi tudo isso. Perdi a vontade de estar aqui. Nesta casa, neste mundo. Perdi a vontade que ainda há pouco me tinha assaltado e que me fazia lutar contra tudo dia após dia. Mas agora fartei-me. Fartei-me definitivamente de criar ilusões, de me achar capaz de algo que, em momentos de lucidez, sei perfeitamente que não sou capaz de fazer. Esse algo, hoje, é uma coisa muito simples. Continuar a viver nesta casa, sob este ambiente que não faz bem a ninguém. E não quero que aquilo que de melhor tenho no mundo passe pelo mesmo que eu passei, ao assistir a cenas de violência. Não quero ver o futuro deles afectado por algo em que eles não deviam estar metidos. Os meus putos não deviam ver, não deviam ouvir nada daquilo que se passa à volta deles. Porque são muito pequeninos! São...
Claro que isto ia acabar por acontecer. Afinal de contas, parece que não descanso enquanto não afasto de mim todas aquelas pessoas que me fazem bem e a quem acabo, quer queira quer não, por me apegar. Mas que raio se passará com a minha cabeça? O que estará errado? Que pergunta mais estúpida. Toda eu sou um erro, um problema constante. Ambulante, melhor dizendo. Queria voltar atrás. Sim, não é possível e depois? O impossível nunca foi motivo suficiente para que eu deixasse de querer algo. Lá está o meu erro a falar novamente. É melhor parar por aqui. Vou tentar, simplesmente, atenuar a gravidade daquilo que fiz. Não sei como, mas vou fazê-lo...
Acabou. Chegaram ao fim os dias de sofrimento. Estou cansada de ficar parada, presa a um passado que não mais voltará. Hoje é o dia em que me decido a olhar em frente, a perspectivar o meu futuro com uma renovada vontade de o viver. Chega de temer o amanhã, chega de relembrar e sofrer com o ontem. Só o hoje importa... Há que viver um dia de cada vez, tendo como única preocupação a felicidade de quem nos trouxe de volta ao corpo que um dia nos pertenceu. Não vou permitir que as pessoas de quem mais gosto se afastem de mim, devido a um problema que ficou longe, perdido no tempo... Problema esse que criou raízes em mim e me impediu de ver, durante muito tempo, para além daquilo que eu estava a sofrer. Mas hoje levei um abanão. Um abanão que me trouxe de volta à realidade. Tornei a encarar o mundo, a pensar na hipótese de esperar para viver. Parei de pensar no quão mau pode ser o dia de amanhã. Descobri, finalmente, que o erro está em mim e não nos outros. O que pode haver de melhor do qu...